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sábado, 26 de maio de 2012

O vergonhoso “jornalismo” paraibano



fonte: http://www.sindjormt.org.br/2010/10/indicativo-de-greve-na-campanha.html
            O escândalo da relação para lá de promíscua e antiética entre jornalistas paraibanos e a assessoria de comunicação do gabinete do senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB) revelado pela grande mídia nacional essa semana é apenas uma pequena mostra do tipo de “jornalismo” que se pratica na imprensa convencional da Paraíba.


            Há muito tempo o noticiário dos veículos de comunicação do estado está comprometido pela completa mercantilização da pauta, tornando-o apenas mais um mercado onde quem dá mais ocupa mais espaço e tem mais visibilidade midiática. A naturalização da chamada relisemania nas redações é um fenômeno já antigo e tornou o jornalismo uma espécie de publicidade disfarçada. Uma afronta ao consumidor de notícias e ao cidadão, que pensa estar comprando uma informação produzida de forma isenta, mas, na verdade, está recebendo algo contrabandeado, tendencioso, encomendado.
            Durante o mestrado eu analisei um pouco esse fenômeno, na perspectiva do jornalismo científico. Em grande medida, o jornalismo praticado hoje na mídia convencional é refém do trabalho das assessorias de imprensa, de comunicação e de relações públicas. Mas o que mais chama atenção no serviço que os jornalistas contratados pelo senador Vitalzinho é a completa inobservância ao empoeirado Código de Ética dos jornalistas brasileiros.
            Senão, vejamos o que diz o artigo 7º desse código: “O jornalista não pode: (...) VI - realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas; (...)”.
            Fica claro que os coleguinhas flagrados prestando serviços ao senador nunca leram o Código de Ética da nossa categoria, ou, se leram, esqueceram desse artigo.
            Entre o final de 2007 e 2008, quando eu disputei a presidência do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba, fomos pedir apoio a alguns deputados estaduais do campo da esquerda. Lembro-me vivamente o que nos revelou o então deputado pelo PT, Jeová Campos, quando percebeu que nossa chapa pretendia coibir a prática do “toco”. “Eu não aguento mais ser assediado pelos teus colegas jornalistas e radialistas me pedindo dinheiro aqui no gabinete, ou para falar bem do meu mandato ou para não falar mal”, confidenciou o combativo parlamentar, que na última eleição não conseguiu votos suficientes para a Câmara Federal.
            Nesse sentido, a revelação que a FOLHA fez, é algo “comum” dentro das principais redações paraibanas, mas no Correio essa prática é algo quase institucionalizado. Ainda durante a campanha para a direção do sindicato nós ouvimos relatos de arrepiar, como o que dava conta de que havia jornalistas em Campina Grande que trocavam notinhas em suas colunas diárias até por botijão de gás.
            Quem assina o Correio percebe que as edições das segundas-feiras trazem sempre várias páginas com notícias das prefeituras do interior. O jornal do ex-senador Roberto Cavalcanti (PRB) também é craque em oferecer páginas inteiras para instituições respeitadíssimas como OAB, Ministério Público e até para um pool de sindicatos de trabalhadores, com a mesma naturalidade e desenvoltura que publica páginas das grandes revendedoras automobilísticas instaladas na Paraíba.
            Na prática, não haveria problema ético algum se o material que os jornalistas publicassem como “notícia” fossem devidamente identificados com um aviso para os leitores, telespectadores, ouvintes e internautas, de informe publicitário ou divulgação institucional, como os próprios sindicatos de jornalistas recomendam nesses casos. Para que todos saibam que aquele texto, aquela “reportagem” foi paga por alguém para ser escrita e veiculada num modelo discursivo que imita os formatos genuinamente jornalísticos.
            Mas a denúncia da FOLHA também revela outro problema: a utilização de terceiros para acessar verbas do Senado por um serviço não prestado diretamente por esta pessoa. Um artifício tão antigo quanto a prática do “jabá” pelos comunicadores.
            Evidentemente, jornalistas que ganham a vida tentando ser o mais ético e honesto possível, e a sociedade nacional, que não aguentam mais ver esse tipo de coisa, querem saber o que o Sindicato dos Jornalistas na Paraíba e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) têm a dizer sobre o caso.

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