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RADIOWEB ZUMBI DOS PALMARES

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Quantidade não significa qualidade

OPINIÃO





por Mika Dias

Mais uma vez os/as jornalistas paraibanos/as estiveram reunidos/as em assembléia na terça-feira (15) na sede da Ordem Brasileira dos Advogados (OAB - PB) para eleger a junta governativa que vai tocar o sindicato dos jornalistas da Paraíba até a eleição que vai eleger a sua NOVA diretoria. Faço questão de frisar a palavra NOVA porque faz quase vinte anos que o atual presidente, Land Seixas de Carvalho, ocupa o cargo e é visto como um deus intocado da classe jornalística paraibana. E quando me refiro apenas a ele não se trata de nada pessoal, que isto fique bem claro! Com certeza, ele deve ter sua contribuição à categoria, mas porque não se pode renovar? Porque a categoria de jornalistas paraibanos não deseja mudanças?

A chapa Novos Rumos deseja apenas concorrer em pé de igualdade à diretoria do Sindicato, mas parece que até agora a grande maioria dos jornalistas, que tanto falam em ter opinião própria, não entendeu as nossas propostas, e o pior, difama e calunia, sem nem ao menos trocar um dedo de prosa, sem ao menos procurar saber de fato o que acontece e aconteceu no sindicato para haver afastamento de alguns membros, que hoje fazem parte do movimento Novos Rumos. Outros jornalistas presentes na assembléia e que também querem mudanças reais na entidade, que diz representar os/as jornalistas paraibanos/as, como Sônia Lima e Marcos Lima, em seus depoimentos falaram de perseguição quando tentaram contribuir para o melhoramento do sindicato. E ninguém se pergunta o porquê disto. Passamos em todas as redações e vimos jornalistas reclamando de assédio moral, de baixos salários, das condições de trabalho inadequadas ou péssimas, e da falta de atuação do sindicato nestas e outras questões. A atual diretoria acomodou-se e nada mais quer do que perpetuar-se no poder até quando a morte chegar. Fazendo aqui e ali um arremedo de atuação.

A junta eleita foi formada por representantes da atual diretoria e a proposta da chapa Novos Rumos não foi aceita, que era a composição da mesma ser feita por cinco membros, sendo dois da situação, 2 da oposição e 1 neutro para gerir o sindicato. Ganhou a composta por nove membros. Porém, nossa proposta não foi aceita e de maneira deselegante e autoritária fomos desrespeitados no auditório da OAB.

Éramos minoria, embora tenhamos em nossa chapa os 33 nomes solicitados para composição da chapa. Nomes de 33 jornalistas que estão insatisfeitos com a situação do sindicato da Paraíba e que quer novos rumos de verdade! Além de outros/as que apóiam nossa luta!

Faz pouco tempo que passei a tomar conhecimento do que pensa e como atua a classe jornalística da Paraíba, mas posso dizer com toda franqueza que me envergonha fazer parte de uma classe que não aceita o contraditório, o diferente e que faz o jogo sujo de qualquer político corrupto. (Não estou aqui chamando ninguém de corrupto!!) Ficou claro que os/as jornalistas paraibanos/as querem ser eternamente guiados/as e cuidados por um PAI, uma espécie de Getúlio Vargas, um patriarca que lhes diz o que os/as “filhos/as” devem fazer e seguir. A mentalidade dos/as jornalistas paraibanos/as presentes na assembléia é retrógada e equivocada, não aceitando, o oposto, o divergente, o diferente.

Muita coisa falta para esta categoria, que se diz formadora de opinião e que muitas vezes se considera acima do bem e do mal. Lamento pelas novas gerações que virão e verão a maneira que é conduzida o sindicato, que os diz representar.

Não queremos resolver as questões dos jornalistas sempre no Judiciário, mas este é um direito assegurado a qualquer pessoa e se isto se fez necessário foi porque nos foi ocultado documentos que devem ser de conhecimento de toda a categoria.

Se não temos propostas, como dizem, se não temos votos, como dizem, se somos loucos/as ou incapazes de gerir um sindicato, se somos minoria, porque não podemos concorrer as eleições? Se estamos em um estado democrático, porque as pessoas não podem ter a liberdade de escolher o que querem? E se escolhem apenas um dos lados SEMPRE, o que será que acontece? O que acontece nos bastidores antes da assembléia?

Porque não vemos transparência desta gestão? Porque não vemos a sua atuação, a atuação de todos/as os/as seus componentes?

Como bons brasileiros, os/as jornalistas paraibanos/as sempre delegam a um REI e seus assessores os seus próprios destinos. É mais prático, mais cômodo do que tentar fazer diferente, do que agir em coletivo e com diferenças.

Não importa estar no sindicato e conseguir a diretoria. Não importa se não conseguimos nos fazer compreender. Acredito que o mais importante é que conseguimos mostrar a situação do sindicato e dos/as jornalistas paraibanos/as, tocar em suas feridas. Como dizia a feminista Emma Goldman: em uma sociedade mantida pela mentira, qualquer expressão de liberdade é vista como loucura!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Junta Governativa só tem membros ligados a Land




Momento da votação: todos por um!


Nós bem que tentamos, mas a Junta Governativa, escolhida ontem à noite no auditório da OAB pelos jornalistas filiados ao sindicato da categoria, foi composta apenas por pessoas ligadas ao grupo político liderado pelo ex-presidente Land Seixas. Além dele próprio, a Junta nomeada tem os seguintes nomes: Marcos da Paz, Orlando Ângelo, Edson Verber, Antonio Vicente, Tatiana Brandão, Damásio Dias, Franco Ferreira e Rafael Freire.

Na opinião dos representantes do movimento Novos Rumos, a formação da junta não poderia atender apenas à hegemonia da atual direção do sindicato, cujo mandato expira no próximo domingo, dia 20. “A escolha dos membros desta junta deve seguir o atual momento de disputa onde projetos distintos disputam a direção efetiva. Assim, a formação da junta deveria levar em conta as indicações feitas pelas chapas concorrentes”, defendeu Dalmo Oliveira, minutos antes da votação que escolheria os membros do grupo gestor.

Novos Rumos propôs que a Junta fosse formada com apenas cinco membro, sendo dois representantes do grupo landista, dois representantes da oposição sindical e mais um jornalista com posição neutra, escolhido entre os filiados da entidade presente à assembléia.

Edson Verber apresentou a proposta de uma junta-caixão composta de nove membros previamente definidos pelo grupo situacionista. Antes da votação, Rafael Freire fez uma fala atacando a proposta de composição paritária. Para ele, uma Junta Governativa composta desta forma não conseguiria governar o sindicato por conta do antagonismo ideológico dos representantes dos grupos em disputa.

A argumentação de Freire, além de reacionária, teve a clara intenção de manipular os presentes, lançando o discurso de discórdia inconciliável. Para nós, ao contrário do pensamento expressado pelo grupo da situação, o exercício democrático pleno é totalmente compatível com o convívio dos opositores. “O discurso apresentado por Rafael reflete bem sua ideologia calcada num centralismo ultrapassado”, comenta Dalmo.


Intervenção branca

O ex-presidente Land Seixas declarou, a respeito da liminar concedida pela Juíza substituta da 4ª Vara Cível da Comarca de João Pessoa, que suspendeu a eleição da entidade no dia 22 do mês passado, que o remédio jurídico obtido por Novos Rumos seria uma interferência da justiça na organização dos trabalhadores. Land acha que só conseguimos a liminar porque os juízes são comprometidos com os empresários da Comunicação aqui na Paraíba. Seixas disse ainda que a decisão da Justiça é uma “intervenção branca”. Na mesma reunião, de maneira exaltada, o jornalista Gilson Souto Maior, ex-presidente da Comissão Eleitoral do pleito suspenso, considerou a decisão judicial “uma excrescência jurídica”. Os pronunciamentos de Seixas e Souto Maior refletem o desrespeito para com as Cortes locais. Uma temeridade.

Murilo na PB

Uma das grandes surpresas da assembléia foi, sem dúvida, a presença do presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sergio Murilo. Ele fez um discurso inicial ressaltando a importância da categoria e a defesa da democracia. Ao final da assembléia, Murilo conversou rapidamente com integrantes do movimento Novos Rumos. Dalmo disse que havia ido à Brasília em outubro passado para uma audiência com ele no intuito de solicitar o acompanhamento do processo eleitoral paraibano e não a intervenção da Fenaj no sindicato, como foi divulgado.

Marcos Lima disse a Murilo que a única intenção do movimento Novos Rumos é garantir transparência e igualdade de condições na disputa eleitoral. Os integrantes da oposição reclamaram ao presidente a falta de divulgação da Fenaj sobre todos os fatos ocorridos na Paraíba nos últimos meses. “Não há uma linha sobre esse assunto no site oficial da Fenaj”, reclamou Oliveira.

Sergio Murilo responsabilizou o jornalista da Fenaj pelo silenciamento sobre a problemática no sindicato da Paraíba. O presidente prometeu corrigir a falha. Novos Rumos espera que o funcionário não seja punido pelo esquecimento.

Próximos passos

Novos Rumos respeita a decisão da assembléia, mas considera que o grupo escolhido na última terça-feira, na OAB, não representa satisfatoriamente o conjunto da categoria. Durante a assembléia, ponderamos que a busca por soluções na Justiça é uma atitude totalmente compatível com o jogo democrático e plenamente previsto numa sociedade moderna regida pelo Estado de Direito. Desrespeito com a categoria é o que esse grupo vem praticando há quase duas décadas à frente do sindicato, manipulando informações, excluindo lideranças críticas e conduzindo a entidade com respaldo numa minoria manobrada.

Iremos acompanhar de perto todas as ações da Junta Governativa. “Esperamos que os prazos estatutários sejam garantidos, no sentido de oferecer oportunidade de sindicalização a todos os jornalistas interessados em participar do pleito, com condições de voto e de votação. Também estaremos vigilantes ao que diz respeito à vida financeira e contributiva da entidade, para que o grupo da situação não use indevidamente os recursos sindicais para tentar, a qualquer preço, garantir a vitória”, diz Fabiana Veloso, outra integrante do grupo oposicionista.

Caravana campinense

Em pouco mais de um mês assistimos uma movimentação incomum de pessoas sindicalizadas em Campina Grande, comparecendo em caravana às assembléias que elegeram a Comissão Eleitoral, no dia 06/11/2007, e na terça-feira passada, dia 15/01, para escolha da Junta Governativa.

Ficamos felizes que nossas ações estejam despertando o interesse dos associados. O que questionamos são os critérios para o arrebanhamento dos filiados em Campina Grande e em Patos para a participação dos eventos sindicais na Capital. “A convocação e o transporte desses companheiros e companheiras estão se dando de forma anti-ética e anti-democrática, uma vez que só se garante a vinda daqueles que apóiam o ex-presidente Land Seixas”. Observa Dalmo. Ele desconfia que o custeio dessas despesas de transporte dos jornalistas interioranos para João Pessoa está sendo bancado com os recursos da entidade. “Se a Van foi paga pelo sindicato, seria justo que a convocação tivesse sido feita de forma pública, contemplando todos os sindicalizados interessados em participar das assembléias na Capital, o que, efetivamente não ocorreu”, diz o sindicalista.

É com esse tipo de prática que Novos Rumos não compactua. Denunciaremos sempre qualquer manobra que prejudique o conjunto da categoria. Defendemos a lisura e a transparência do processo eleitoral e iremos até as últimas conseqüências na defesa da democracia e do igualitarismo de oportunidades para todos os jornalistas paraibanos interessados na vida sindical.







Murilo fez audiência com grupo da oposição depois da assembléia

domingo, 13 de janeiro de 2008

Jornalistas escolhem Junta Governativa para sindicato nesta terça na OAB





O Jornal da Paraíba trouxe neste domingo, dia 13, um edital de convocação para assembléia geral extraordinária do Sindicato dos Jornalistas com um único ponto de pauta: "eleição da Junta Governativa Provisória". A assembléia ocorre na próxima terça-feira, dia 15, e terá lugar no auditório da sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PB), que fica à rua Rodrigues de Aquino, nº 37, no centro de João Pessoa. O evento está marcado para iniciar a partir das 19h.

A assembléia está sendo convocada por conta da suspensão do processo eleitoral que iria ocorrer no dia 22 de dezembro do ano passado. A eleição foi suspensa por força de liminar concedida pela juíza substituta da 4ª Vara Cível, Dra. Silse Maria da Nóbrega Torres. A liminar foi solicitada depois que o movimento Novos Rumos, de oposição à atual diretoria, foi impedid0 pela comissão eleitoral de inscrever chapa para concorrer ao pleito. A comissão exigia documentos não previstos no regimento eleitoral nem no estatuto social da entidade.

Novos Rumos conclama os jornalistas paraibanos filiados ao sindicato a comparecerem em massa à assembléia desta terça-feira no auditório da OAB-PB para escolha dos membros da Junta Governativa. Estamos defendendo que ela se componha apenas de cinco pessoas, de forma paritária entre os grupos da situação e da oposição sindical.

Como se trata de uma situação emergencial, Novos Rumos defende que a Junta deve receber mandato apenas para conduzir a transição, especialmente nas ações referentes ao novo processo eleitoral. Nesse sentido, o mandato deve ter duração de apenas quatro meses, período mínimo necessário para que os jornalistas interessados em participar da gestão sindical possam se filiar ou regularizar a situação de inadimplência, tendo em vista que a atual diretoria suspendeu de forma anti-estatutária novas filiações desde setembro do ano passado, comprometendo inteiramente o processo de participação democrática na eleição.

A participação de representantes do movimento Novos Rumos na Junta Governativa torna-se, assim, imprescindível para a garantia da equidade e da lisura na condução dos próximos passos administrativos da nossa entidade. A participação paritária também deve ser garantida quando da composição da próxima Comissão Eleitoral, a ser escolhida numa assembléia posterior.

Para os situacionistas é cômodo manter as instâncias administrativas e eleitorais sem a participação de representantes da oposição. Foi esse erro que fez com que todo o processo eleitoral anterior caísse em suspeição por conta da vinculação subalterna dos membros escolhidos com o atual presidente. Não se pode acreditar em imparcialidade e igualitarismo de oportunidades num processo cujos executores estão comprometidos apenas com uma das partes interessadas. Foi isso que inviabilizou a democratização de todas as etapas da tentativa de eleição suspensa pela Justiça em defesa da igualdade de condições em dezembro passado.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O silenciamento dos inocentes



É de se estranhar a falta de interesse da imprensa paraibana com a pauta “sindicato dos jornalistas”. O tema simplesmente não apareceu em nenhum espaço dos treis “jornalões” do Estado, mesmo depois da notícia (dada por vários Portais!) de que a Justiça suspendera as eleições por força de uma liminar obtida por membros do movimento Novos Rumos.

Nem mesmo nas colunas, espaços consagrados da autonomia jornalística, se ouviu qualquer comentário sobre um fato tão importante para a categoria dos escribas profissionais. Uma pergunta então precisa ser feita: o que está por trás desse silenciamento orquestrado imposto nas redações tradicionais? Porque assuntos sobre a organização sindical da nossa classe não saem nos jornais?

Poderia vislumbrar que existe uma espécie de pacto interredacional com o entendimento de que notícia sobre jornalistas não é notícia. Ou que esse tipo de assunto não interessa ao conjunto da sociedade. Não concordamos com essa visão. Os jornalistas somos uma classe laboral como outra qualquer: estamos dentro do sistema de produção capitalista. Na base produtiva dele. Produzindo bens simbólicos.

Se as eleições para a diretoria do sindicato não for uma pauta atraente, a eleição da OAB também não seria. Ou a eleição do Conselho de Medicina. Porque as eleições das outras categorias são importantes e a nossa não...? Porque não podemos falar de nós mesmos? Qual o receio?

Mas o silenciamento orquestrado na mídia impressa não ficou restrito aos jornais paraibanos. A própria Fenaj ignora o fato de que na Paraíba as eleições do sindicato dos jornalistas foram adiadas por determinação judicial. No site da federação (www.fenaj.org.br) não há qualquer notícia sobre esse assunto. Estranho, não...